quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Rabobank contrata “milagre holandês”

A Rabobank anunciou oficialmente nesta terça-feira (22) a contratação de Monique van der Vorst para a temporada de 2012. A holandesa tem uma história para lá de curiosa. Aos 13 anos, ela perdeu os movimentos das pernas por consequência de uma operação mal sucedida em sua perna esquerda. A partir daí, ela passou a competir como ciclista paraolímpica, em uma bicicleta específica, na qual ficava sentada, com o tronco reclinado e utilizava as mãos para se locomover.


Em 2008, Van der Vorst conquistou duas medalhas de prata nos Jogos Paraolímpicos de Pequim, além de conquistar uma medalha de bronze no contra-relógio e uma de prata na estrada do Mundial de Paraciclismo. Em 2009, se arriscou no triathlon e foi 10ª no Mundial de Ironman, no Havaí.

Seu destino parecia ter sido traçado para que a holandesa pudesse construir uma carreira brilhante em cima de sua paraciclismo, no entanto, um novo acidente aconteceu em sua vida para surpreendê-la novamente. A atleta foi atingida nas costas, por um ciclista, o que resultou em uma queda que lhe rendeu um espasmo nas pernas.

O fato, ocorrido na Espanha durante 2010, a obrigou a ficar hospitalizada por sentir fortes dores nas costas. Porém, em junho do mesmo ano, ela começou a sentir sensações incomuns em seu pé esquerdo, o que a possibilitou recuperar as esperanças de voltar a andar. Com a fisioterapia, Van der Vorst surpreendeu o mundo e voltou a andar. O episódio até rendeu um apelido à ex-paraciclista: “Milagre Holandês”.

“Eu estou completamente honrada em poder competir pela Rabobank. Este time tem o melhor ambiente que eu poderia sonhar e, com certeza, aprenderei muito e ganharei muita experiência trabalhando aqui, principalmente com Marianne Vos”, declarou a nova integrante da esquadra.

Jeroen Blijlevens, técnico de sprint masculino e feminino da equipe, também falou sobre a contratação. “Será um desafio interessante, pois a Monique poderá aprender muito, mas o restante das garotas com certeza também aprenderão. Ela tem atitude, força, precisão e mostrou muito a todos em sua carreira. É uma pessoa que ama o ciclismo e nós daremos a ela todo o suporte em sua nova casa”, finalizou Blijlevens.



quarta-feira, 12 de outubro de 2011

BIOMECÂNICA NO CICLISMO

O ciclismo tem se desenvolvido notavelmente nas últimas décadas. No âmbito esportivo, de alto rendimento e preocupações diversas, questões como a posição tomada pelo atleta na bicicleta, até acessórios como pedais, freios, assentos, pneus, entre outros, tem intrigado pesquisadores e forçados a buscar soluções para as perguntas acerca das respostas fisiológicas e mecânicas para as alterações na carga de trabalho e/ou na produção de energia, bem como dos efeitos da posição do corpo e configuração do quadro sobre desempenho (Gregor, 2000).

A discussão sobre modelos biomecânicos para a extremidade inferior durante o ciclismo geralmente enfocam o movimento rítmico das pernas, operando em alguma escala "ótima" de movimento projetada para produzir o máximo de benefício partindo das propriedades mecânicas dos músculos envolvidos, como exemplo, músculos esqueléticos nas extremidades inferiores utilizados para dar potência a bicicleta (Gregor, 2000).
A grande parte das pesquisas em biomecânica considera apenas movimentos no plano sagital, de flexão e extensão do joelho e de flexão plantar e dorsal do tornozelo. A partir dessas análises, os deslocamentos, velocidades e acelerações da coxa, perna e pé, parecem ser mais afetadas pela cadência e pela configuração da bicicleta, como por exemplo, a altura do assento, posição para frente ou para trás do assento, comprimento do pé de vela e posição do pé sobre o pedal. Com relação à extremidade superior do corpo, a inclinação do tronco parece ter pouco efeito sobre a cinemática dos membros inferiores.

pedalada Cinemática angular
 
Analisando a pedalada no plano sagital, Faria & Cavanagh (1978) reportaram um deslocamento angular total, durante um ciclo da pedalada de 45º para a coxa, 75º para o joelho e de 20º para o tornozelo. Já Rugg & Gregor (1987), demonstraram o efeito das alterações da altura do assento sobre a escala de movimento do quadril e do joelho à medida que é variada a altura de 100% para 115% da altura da cintura pélvica (a altura medida a partir da sínfise púbica até o solo).

Com base nesses dados, muitos ciclistas de estrada escolhem entre 106 e 109% da altura da sínfise púbica como uma posição de assento de maior conforto. Os achados dos autores ainda indicaram que a articulação do joelho foi a mais afetada pelas alterações na altura de assento, sendo as outras articulações analisadas (quadril e tornozelo) menos afetadas. Além disso, parece que o joelho se flexiona a um grau maior na condição de altura do assento baixa e se estende para um grau maior na condição de assento alto, sendo que embora a escala de movimento do quadril se altere menos drasticamente, a coxa é geralmente mais estendida na condição de assento alto. Deve-se atentar ao fato de que a escala de movimento de cada articulação irá afetar a escala de encurtamento/alongamento dos músculos individuais, mas a escala absoluta dentro da qual eles distendem ou encurtam será afetada pelos ângulos nos quais dada articulação age durante o movimento cíclico da extremidade inferior (Ericson, Nisell & Nemeth, 1988).

Cinética do Ciclismo




A literatura apresenta vários estudos que consideram as forças atuantes no pedal como objeto de estudo, visto que a maior energia para o movimento é gerada pelas pernas e transmitida a bicicleta pelo pedal, já estudos que envolvam as forças atuantes no guidom e assento são mais escassos.

Em estudo acerca das forças geradas no guidom e assento, Soden & Adeyefa (1979), se interessaram em avaliar a resistência e o desempenho dos quadros de bicicleta, e para alcançar esse objetivo fizeram medições de forças no guidom, no assento e nos pedais, durante a partida, a subida e a nível normal (terreno sem inclinação) no ciclismo. Os autores descrevem "puxadas" no guidom realizadas com uma força equivalente a 0,64 vezes o peso corporal, com assimetrias nas forças exercidas pelos baços que compensam as cargas assimétricas aplicadas aos pedais no esforço para iniciar o movimento da bicicleta para frente.
Sanderson & Black (2003), analisaram as forças aplicadas ao pedal e a cinemática das articulações do quadril, joelho e tornozelo durante os três minutos iniciais e finais de um teste máximo. Os sujeitos estudados pareceram apresentar uma menor efetividade durante a fase de recuperação, o que parece ter influenciado o aumento do pico de torque no final do teste.
Da análise da pedalada por meio de pedais devidamente instrumentados para a medição de forças atuantes, Gregor (2000), coloca que o pico de força perpendicular à superfície do pedal é de aproximadamente 60% do peso corporal do indivíduo, sendo essa porcentagem aproximadamente a mesma para todos os ciclistas, desde que por um período consistente, dificilmente excedendo o peso do ciclista, a menos que ele se apóie no guidom. O mesmo autor explica que embora os ciclistas freqüentemente sintam que estão puxando o pedal durante a recuperação, isso é raro. Puxar o pedal não é essencial para uma técnica eficiente de pedalada no ciclismo, e os ciclistas competitivos reservam essa ação para subidas e arrancadas (também chamadas entre os atletas de sprints). A simetria de força na pedalada é rara, e iremos encontrar constantemente assimetrias entre as pernas na força aplicada ao pedal.


                                               Geração de torque durante 40 km contra-relógio

                                                                     (CARPES, 2004).

Um estudo de Ericson & Nisell (1988) propõe que a força efetiva, perpendicular ao pé de vela tem seu maior valor próximo aos 90º do pé de vela, isto porque ela é relacionada com a distância horizontal entre o pedal e o pé de vela. A magnitude e a orientação dessas forças de reação no pedal se alteram constantemente durante todo o ciclo da pedalada conforme a mudança nas posições dos membros inferiores. Como conseqüência, o estudo da pedalada em uma abordagem tridimensional torna-se bastante complexa. Com esse tipo de análise, Ruby, Hull & Hawkins (1992), indicaram que uma carga em varo é aplicada ao joelho durante a fase de potência na propulsão. Na fase de propulsão, a força de reação é medial, aproximando-se de uma linha vertical e na fase de recuperação, no momento em que as forças de reação no pedal são baixas, estas aparecem laterais ao joelho, assim o vetor força é medial ao joelho durante a fase de potência, sendo afetada pela altura do assento e, em geral, lateral ao joelho durante a recuperação.

Buscando uma melhor aplicação e aproveitamento da força muscular, Martin, Lamb & Brown (2002) apresentam trabalhos propondo novas geometrias para pé de vela e trajetória de pedal, na busca de uma melhor eficiência na pedalada.
Dessa forma, dados de avaliações biomecânicas são complexos, porém, estes podem ser transmitidos para a linguagem popular de treinamento e preparação física, não só para descrever a realidade, mas também para testar estratégias na busca da otimização do desempenho.



REFERÊNCIAS CONSULTADAS (na ordem em que aparecem no texto)

- GREGOR, R. J. Biomechanics of cycling. In: GERRET, W. E. & KIRKENDAL, D. T. Exercise and Sport Science. Philadelphia - EUA: Lippincott Williams & Wilkins, 2000.
- FARIA, I. E. & CAVANAGH, P. R. The physiology and biomechanics of cycling - ACSM series. New York: John Wiley & Sons, 1978.
- ENOKA, M. R. Bases neuromecânicas da cinesiologia. São Paulo: Manole, 2000.
- RUGG, S. G. & GREGOR, R. J. The effect of seat height on muscle lengths, velocities and moment arm lengths during cycling. Journal of Biomechanics. v.20 p: 899. 1987.
- ERICSON, M. O.; NISELL, R. & NEMETH, G. Joint motions of the lower limb during ergometer cycling. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy. 9 p:273-278. 1988.
- RUBY, P.; HULL, M. L. & HAWKINS, D. Three dimensional knee loading during seated cycling. Journal of Biomechanics. v.25 p:41-53. 1992.
- SANDERSON, D. J. & BLACK, A. The effect of prolonged cycling on pedal forces. Journal of Sports Science. v.21 n.3 p:191-199. 2003.
-CARPES, F. P. Biomecânica do ciclismo. Universidade Federal de Santa Maria. Relatório de Estágio Profissionalizante. 2004.
- ERICSON, M. O. & NISELL, R. Efficiency of pedal forces during ergometer cycling. International Journal of Sports Medicine. v.9 n.2 p:118-122. 1988.
- MARTIN, J. C.; LAMB, S. M. & BROWN, N. A. T. Pedal trajectory alters maximal single-leg cycling powers. Medicine and Science in Sports and Exercise. v.34 n.8 p:1332-1336. 2002.

Autores:


Felipe Pivetta Carpes - pedal@mail.ufsm.br

Grupo de Estudo e Pesquisa em Ciclismo - www.ufsm.br/gepec

Laboratório de Biomecânica - www.ufsm.br/labiomec

Universidade Federal de Santa Maria - www.ufsm.br







segunda-feira, 26 de setembro de 2011

MARATONA, A BARREIRA DOS 30 KM.

Nas provas de longas distâncias, como a Maratona, é muito comum nos depararmos com atletas que, durante boa parte do percurso, correm com viva satisfação, muita disposição e entusiasmo, até acenando para o público. Parece que não sentem o calor, as passadas são seguras, o ritmo é constante mas, repentinamente, quase que sem explicação, os braços tornam-se pesados e as pernas movem-se com dificuldade; a musculatura se contrai dolorosamente, o ritmo diminui drasticamente e cada passo a mais transforma-se num suplício que parece não haver mais fim.


Esta situação, que ocorre freqüentemente entre os corredores de longas distâncias, é um fenômeno fisiológico conhecido pelos maratonistas como "barreira dos 30 km".

O termo "barreira" é adequado a esse momento, tamanho é o impacto provocado nos atletas, que esbarram num obstáculo quase que intransponível.

O que determina o surgimento dessa "barreira" é a duração do esforço (longo tempo para terminar a prova) e a intensidade do mesmo (ritmo muito forte), além das condições atmosféricas.

Portanto, as razões para o surgimento da "barreira" podem ser provocadas por três motivos distintos: a falta de glicose circulante, a falta de glicogênio muscular e o superaquecimento do organismo.

No primeiro caso, os atletas são atingidos após 2-3 horas de corrida, quando a glicose circulante na corrente sangüínea vai sendo consumida pelos músculos para obtenção de energia. Isso provoca uma hipoglicemia, ou seja, uma diminuição da quantidade de glicose circulante, falta "combustível" e o atleta é obrigado a diminuir a velocidade e, na maioria da vezes, abandonar a competição.

Os atletas mais lentos são os mais atingidos pela hipoglicemia, pois ainda não possuem um nível adequado de preparação que lhes permitem grandes desempenhos em provas de longa duração, levando horas para terminarem a prova e, quanto mais demoram, maiores as dificuldades. Podem até ir longe, mas sofrerão grandemente os efeitos da falta de glicose.


Entretanto, a hipoglicemia pode ser evitada, desde que o atleta inicie a prova com suas reservas de glicogênio hepático em alta (o fígado armazena glicogênio e, quando necessário, o transforma em glicose para a manutenção dos níveis glicêmicos na corrente sangüínea). Assim, através da ingestão adequada de carboidratos antes e durante a competição, o atleta, correndo num ritmo confortável, obterá um bom desempenho nas provas longas.

A segunda causa da "barreira" é a mais frustrante de todas. Ela atinge justamente os atletas mais rápidos, e ataca sem aviso prévio.

Esses atletas, devido ao ritmo competitivo forte, acabam por utilizar suas reservas musculares de glicogênio para obtenção da energia, esgotando-as precocemente.

Quando as reservas de glicogênio esgotam-se nos músculos em atividade, nada mais há a fazer. A velocidade cai assustadoramente e, o atleta que vinha tão bem, acaba por desistir da disputa, vendo muitos o ultrapassarem, sem qualquer reação.

A falta de glicogênio muscular, porém, pode ser solucionada através do treinamento bem orientado e de uma dieta alimentar que forneça diariamente quantidade ideais de carboidratos (pelo menos 60-65% do valor energético total). Infelizmente, durante a prova, pouco se pode fazer.

O superaquecimento, a terceira causa da "barreira"", é a mais perigosa para a saúde do atleta. A elevação da temperatura corporal ou o superaquecimento pode realmente ameaçar a vida dos atletas.

Assim, disputar uma competição em condições climáticas inadequadas, onde a temperatura ambiente e a umidade relativa do ar não são favoráveis à disputa competitiva, pode dificultar todo o processo fisiológico de regulação da temperatura corporal, provocando sérios danos ao organismo do atleta, podendo levá-lo até mesmo à morte.

Para se evitar os riscos do superaquecimento, deve-se ingerir líquidos regularmente, tanto durante os treinos quanto nas competições e após as mesmas, seguindo-se as recomendações dos especialistas.

Entendendo-se as causas da "barreira" e como evitá-la, ou seja, através do treinamento bem orientado, de uma alimentação equilibrada e balanceada e de uma adequada hidratação e suplementação de carboidratos durante a prova, poderemos superar com sucesso esse obstáculo fisiológico que nos impede a realização de grandes desempenhos.






domingo, 11 de setembro de 2011

Brasileiros são top 10 no Mundial de Triathlon Olímpico

O Brasil classificou diversos atletas entre os dez primeiros no Campeonato Mundial de Triathlon Olímpico, age group, disputado neste domingo em Beijing, na China. A prova foi realizada com tempo frio, mas sem chuva. Durante a disputa o sol surgiu para tornar a temperatura mais agradável para os brasileiros.


A equipe nacional teve 11 representantes. Thomaz Tropiano Neto foi o quarto colocado na categoria 18 a 19 anos; Frederico da Silva foi quinto na 30 a 34 anos; Leandro Barbosa o sexto na 35 a 39; Gabriele Neri a nona na 20 a 24 e Leila Anchieta a 10ª na 30 a 34 anos.



terça-feira, 9 de agosto de 2011

KINÉSIO TAPING

KINÉSIO TAPING



A aplicação de KINESIO reduz edemas e a dor de lesões musculares. Isto ocorre porque a dor causada pela pressão exercida nos receptores, sensoriais e neurológicos, é aliviada através das ondulações que a bandagem promove, elevando a pele. Melhorando desta forma a circulação sangüinea e permitindo que o sistema linfático flua mais livremente.
A bandagem tem como funções fundamentais:
Corrigir a função do músculo;
A bandagem é efetiva para recondicionamento de tensão anormal do músculo, ou para fortalecer o músculo enfraquecido;
Melhorar a circulação sanguínea e linfática;
A bandagem auxiliará na absorção de edema ou hematoma;
Alívio da Dor;
Supressão neurológica da dor ocorre após a aplicação da bandagem na área afetada;
Reposição da subluxação da articulação;
A articulação é deslocada devido à tensão anormal muscular que pode ser corrigida com a bandagem que recuperando a função da fáscia e do músculo.











- 140% de elasticidade;

- Adesivo ativado pelo calor;

- Não contém látex;

- Ondas para circulação de ar;

- Espessura leve como a da pele;

- Durável 3-4 dias/aplicação.

Modo de Aplicação:

Localize a região afetada, o músculo deve ser bem alongado e a bandagem pouco tensionada, esfregue a bandagem para ativar a cola. Em atividades esportivas, aplique 20 minutos antes para um resultado mais eficaz.

Músculo Deltóide - Aplicação para Suporte


A aplicação deverá ser feita de origem para inserção do músculo para dar Suporte (em casos de fraqueza muscular).


Indicações:
Condições crônicas; Atrofia e Suporte muscular para atletas.

Conceitos:
Conforme a fibra muscular se contrai, através da extensão e estimulação da pele, Kinesio apóia a contração do músculo para retornar a origem.

Músculo Deltóide - Aplicação para Reabilitação


A aplicação deverá ser feita de inserção para origem do músculo para Reabilitação (em casos de excesso de uso muscular e inflamação).


Indicações:

Condições agudas de torção, distensão, entre outros; Espasmos musculares; Edema por lesão ou procedimentos cirúrgicos.

Conceitos

Ajuda a relaxar e afrouxar o músculo durante a contração e o uso muscular.